
Olá!
Nos últimos posts abordei alguns hábitos bucais nocivos à saúde bucal da criança como a sucção de dedo, chupeta e também o bruxismo. Outro hábito que é bastante comum em crianças de três a seis anos é a onicofagia.
A onicofagia nada mais é que a prática corrente de roer unhas e atinge um terço das crianças e quase a metade dos adolescentes. As causas desse hábito parecem estar relacionadas ao estresse, tensão e ansiedade, impulsividade, a imitação de outro membro da família e, talvez, características hereditárias, e é considerada uma disfunção mastigatória, assim como o bruxismo.
O costume de roer unhas pode acarretar problemas de saúde, levando a infecções por fungos e/ou bactérias existentes na boca e nas mãos, além de danos nas estruturas dentárias: desgastes e fraturas no esmalte, lesão gengival, má oclusão dos dentes anteriores e até reabsorções das raízes, podendo levar à perda precoce do elemento.
Como se não bastassem as consequências físicas, o hábito pode trazer repercussões psicológicas e sociais, já que as crianças e adolescentes podem se envergonhar das unhas roídas, apresentar baixa autoestima e evitar contato com outras pessoas
O tratamento deve visar as causas do hábito. Geralmente são muito difíceis de serem determinadas, mas tudo deve ser feito para a remoção do hábito, estimulando a criança a outras atividades com as mãos, sempre visando melhorar a sua autoestima, sem fazer críticas. Os principais erros acontecem quando os pais decidem acabar com o comportamento drasticamente, com uma proibição enérgica, limitações de uso de brinquedos, ou aplicação de substâncias nas unhas, para provocar ardor na boca ao serem ingeridas. Punições severas, ridicularizações e humilhações além de não ajudarem, trazem consequências graves e podem, inclusive, agravar o problema.
A partir dos três anos de idade, a criança já tem maturidade para entender uma conversa. Por isso, fale dos prejuízos que o costume traz e da importância de parar de roer as unhas. Demonstre boa vontade em ajudá-la a superar o problema e evite ameaças. Qualquer atitude definida para a remoção do hábito só deve ser efetivada com a aceitação da criança, senão o procedimento toma uma característica punitiva.
Em vez de focar a atenção no problema procure distrair a criança com outras atividades. Uma ótima dica é oferecer massinhas para brincadeiras de modelagem, desenhos ou pinturas. Os trabalhos manuais ocupam as mãos e têm ação terapêutica. Se o comportamento persistir, uma ajuda especializada pode ser necessária.
Até a próxima!